Sou o cumprimento de minhas promessas e a conseqüência de minhas escolhas. Sou alimentado por minhas crenças e guiado por meus desejos postos a prova a cada passo. Sou a liberdade que sente o vento nos cabelos sem pudor do corpo nu. Sou vitima das buscas certas e sem regras, habitante da paisagem que se camufla em mim. Sou parte do que vivo e sou o que vivo. Não sou covarde às intenções de meus pensamentos e ao meu medo, apenas um, escondê-los de mim. Sou o segredo de minhas confições mais secretas. Sou a icógnita, a charada desvendada no mistério do meu olhar. Sou a vontade posta a prova, sou onde meus passos andam, sou simples assim.
Aproveite............
terça-feira, 14 de junho de 2011
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Ao vento....
O toque é ordem, é doce. Os lábios se ajeitam e as mãos se firmam no pedaço de corno trabalhado a cada geração. O som define o destino do rebanho e a que passos caminham a boiada.
Ainda no escuro, a despedida. O romper das botas são firmes em meio o pasto. Mais ao alto a colina conquistada de onde se falta vista para alcançar o fim. De longe, a estrada imperfeita feita de terra que se encolhe antes de qualquer destino se não o já conhecido pela palma da própria mão.
A calça suja, batida e apertada na cintura fina pela fivela ajeita-se num pedaço de tronco derrubado pela própria natureza, pois o par de botas por mais destemidos a qualquer pedaço de campo pede por repouso, ainda que por pouco.
No beijar do dia na noite, como o sol a lua por despedida, em um piscar de olhos fica-se de noitinha. As estrelas, dali, fazem-se mais próximas e do homem do campo amigas.
O estalar da brasa que há pouco se fazia de banco saltam aos ouvidos e despertam na mente a imagem de sua face e o desejo de seu cheiro deixado em um pedaço de pano. A chama aquece a pele impossibilitada de seu toque e a lembrança a alma.
No conforto rústico típico onde o colchão é o chão e o céu o telhado, já de manhãzinha faço-me despertado. No dorso do cavalo rumo ao infinito, reconhecido na colina, de costas ao lar deixado há luas que já não percebo contar.
Mergulho...
Os olhos inundam-se, é como rio que corre na montante, frio e calmo em sua alma, mas que desce forte e aquecido pelas pedras que se exibem ao sol. Olhá-los firmes traz a sensação de submissão e fazem refletir as colinas verdes , onde se acosta para esperar o brilho da noite chegar.
Ainda há dúvidas sobre a perfeição da forma de sua face, desconhece-se a qual ponto faz-se real. Sua pele branca macia como a areia beijada por águas puras e seus lábios róseos como a manhã que nasce com a esperança de tocá-la invadem meus pensamentos sem ao menos pedir licença como a água que desce para desaguar em destino certo.
Banho-me em suas águas e posso sentir o sabor doce. Mergulho ao fundo, entrego cada pedaço meu .
Ainda há dúvidas sobre a perfeição da forma de sua face, desconhece-se a qual ponto faz-se real. Sua pele branca macia como a areia beijada por águas puras e seus lábios róseos como a manhã que nasce com a esperança de tocá-la invadem meus pensamentos sem ao menos pedir licença como a água que desce para desaguar em destino certo.
Banho-me em suas águas e posso sentir o sabor doce. Mergulho ao fundo, entrego cada pedaço meu .
domingo, 5 de junho de 2011
Pier
Não há alguém, o coração dessa vez faz-se vazio. Não há novidades, o ontem e hoje se confundem e anunciam o amanhã de daqui a pouco. As mãos estão desencaixadas e não há adorno algum nos dedos.
A sensação era para ser de liberdade absoluta, mas o que me toma nesse momento é o sentimento de falta, ainda que não possa definir do quê, como se eu fosse roubado de algo importante.
O caminho está coberto por folhas secas, o barulho de meus sapatos ao pisar nelas é a única companhia aos meus ouvidos. O olhar é fixo e os passos constantes até a próxima curva dona de uma estrada de terra que finda no píer a companhia do sol até suas despedidas.
Os pés alcançam a água, a calça está molhada e a gravata afrouxada, as mãos apoiadas após a linha das costas inclinadas que sustentam a cabeça voltada unicamente aos pensamentos, que parecem escritos no infinito do céu, pontuados e acentuados pelas estrelas que vão tomando todo lugar.
A posição cansa e os pensamentos se vão com o fim do crepúsculo, a cabeça pesa, os ombros recuam e as mãos estão pelos joelhos, a água reflete alguém que não posso reconhecer, a barba sempre feita por fazer, olhos fundos e cabelos mal tratados.
As palavras faladas e as contidas são arrependidas, são como gavetas trocadas na hora de serem ditas ou escondidas. Certamente são amargas a mim, agora, as palavras que pareciam gritos de alforria, de ambos, naquele momento.
A porta batida e a vista de suas costas distanciando-se faziam aliviar-me e ficar mais calmo. Isso faz ao menos 13 dias contados a partir da segunda hora que a porta se fechou.
De repente, uma mão, no mesmo ombro retraído, a companhia de um rosto ao que, ainda não aceitando, sabia ser eu, ou do que restou de mim. A pele branca, os cabelos negros e os seus olhos verdes como os das colinas que preenchiam o lugar eram a revelação do segredo do que já sabia me faltar.
Entrego meus braços a seu abraço, mais uma vez sou seu.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Coesão
Eu sinto não saber o que sentir. Sinto a certeza de não sentir ou simplesmente a vontade de não querer sentir. A chatice, quase redundante da falta de coesão, dada pela constante repetição de palavras que geram a falta de qualquer coerência, traduzem, ou apenas tentam de forma simples, o que sou. Sou a inconstância e devaneio rodeado de sentimentos de sentimento algum. Estou atolado em meio a tempestade e fixado de mãos atadas. A brisa já não mais refresca, a água não mata a sede, não a que sinto, pois essa não é saciada por liquido algum. A fome, tenho, e é constante, mas de certo não é de alimento. A pestanas se desencontram uma da outra, em direção oposta e longe do acompanhar dos olhos que parecem fixos ao nada. Os dias são noites, as madrugadas o anuncio de tudo como ontem. A imperfeição de tudo e do todo torna-se a explicação e justificativa do óbvio, mas ao mesmo tempo sugere que não era pra ser assim.
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