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sábado, 26 de maio de 2012

Tardes inteiras.....


O sol pairava no horizonte como em todo final de tarde e parecia observar meu corpo ajeitado direto na grama quente com você em meu ombro. 
Confesso que nem o percebia, ainda que ele fizesse de tudo para ser notado. Pintava de todas as cores o céu, refletia-se no espelho d’água e até mesmo escondia seu calor para dizer que estava partindo, mas nada me faria notar quando era o calor de seu corpo que me calentava e a vista de seus olhos que me preenchiam a atenção. 
Fatalmente não haveria como competir, você sempre se fazia mais interessante. 
Era bom, havia a companhia do cheiro e sabor de natureza que nos colocava como mais um ponto, um detalhe no todo daquele lugar, realmente era especial sempre.
Gostaria de dias repletos de tardes, mas só como aquelas em que nada era mais importante que você.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

O truque


Quando se perde tudo, mas a sensação é a do mesmo vazio de que sempre houve nada, dá-me a certeza de que não poderia ser importante, ainda que no instante parecesse. 
Às vezes, somos movidos por instantes mágicos, precisamente ilusórios que nos fazem enganados, preenchidos pela falsa alegria, recheados de nada na medida do mesmo paradoxo de impossibilidades possíveis nessa fórmula mística de enganar a si próprio. 
É como abrir os olhos quase sem piscar e não enxergar o que não se quer ver, movidos por qualquer covardia que justifique o filtro de alguma verdade real, porque verdades em minhas imaginações só reforçam a certeza de que enganar a mim mesmo não é uma arte tão complicada. 
Não é por você, por ela ou qualquer uma do passado, é por mim. 
Houve demora, eu sei, sentar-me nessa cadeira fria de réu, que sou, e ser julgado por alguém que conhece todas as aflições escondidas nas mentiras criadas faz-me desarmado. 
Há como enganar-me, mas mentir jamais, a verdade aparece repentinamente lembrando-me de minhas fraquezas. 
Os dias fazem parecer tudo sem querer, fruto de distrações rotineiras, mas até quando ser ator da vida real? Quando o que mais quero é apalpar a verdade dela, ainda que para isso faça-me ferido em algum instante. 
Como saber da alegria se não houver o conhecimento da tristeza? Ou vice e versa? 
Não quero estar preso a meus julgamentos, mas se for condenado, que seja por algo real e não vítima de uma mágica, de uma ilusão mal praticada onde, de longe, todos percebem o truque.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Fera...


Seus olhos torturam-me buscando a confissão de sentimentos secretos.
 Sua pele encostada à minha, ainda que de maneira desastrada, despreocupada, mas sempre desinteressada, arrepiá-me dos pés a cabeça com presença fácil de algum medo que não sei definir, suo, fico embebido em vergonha de qualquer revelação involuntária.
 É como ser criança novamente, quando os segredos são realmentes secretos e incompartilháveis. Meus olhos correm dos seus, nossas mãos nunca se encontram e abraçá-la em cada chegada ou despedida faz-me perdurar em uma sensação de eternidade imediata, mas sempre boa, talvez por ser a forma mais próxima de me sentir seu, ainda que sempre apenas em meus pensamentos. 
Esses distraem-me sempre, pois são como desejo que fosse, seus lábios bem próximos aos meus. 
Nesse turbilhão de imaginações e desejos não há temores, eu estou sempre seguro e você sorri dando-me a certeza de um amor que sempre esperei.
 É sempre muito bom, eu acordo deles para a vida real e não é dolorido, muitas vezes sou despertado por você mesmo, perguntando-me algo que é quase sempre óbvio, às vezes até desconfio de que pode ler meus pensamentos e desejos. 
Confesso, ainda que com medo, deixo pistas para a descoberta do tesouro que parece pertencer e interessar somente a mim, sua caçada nunca é exata nem mesmo dedicada, as chances são poucas, a amiga fica, o amor existe, eu escondo-me e sou escondido, acho-me desencontrado, amarro e amordaço a fera de mim, mas o coração sempre bate.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Ônibus...


Ela não veio hoje, não sei o que se passou. O ponto de ônibus está vazio, dias de feriado são sempre assim. A espera é mais demorada, não há nossas conversas pra me distrair, ainda que o que mais me distraia é olhá-la, confesso não prestar muita atenção nas palavras dela.  São duas semanas e três dias desse relacionamento platônico, amistoso, mas recheado de segundas intenções minhas e medos que me provocam e me acovardam em cada ensaio de alguma confissão. São tantas as oportunidades que poderia buscar como motivos de dizer algo, o blush borrado, os quase dez livros pesados ou mesmo o tênis de cor estranha desamarrado. Nada passa ser desculpa quando o objetivo é jamais revelar a verdadeira intenção. Além do mais, as técnicas não têm alcançado as promessas dos prefácios, pelo contrário, confundam-me a cada instante que comprovo que ela é única, diferente. Lições generalizadas de certo não poderiam dar-me resultado algum. Ela é mestra em me deixar com vontade de sua companhia, mesmo com as palavras pouco aproveitadas, ainda que apenas com seu olhar ou a forma de seu rosto bem próximo do meu. Nunca continuamos nossas conversas, nunca me conta um segredo e muito menos que sentiu minha falta ou que não. Seu ônibus é sempre antes do meu, daí ela parte e não fica nada, senão a sensação do mesmo vazio de que amanhã será diferente, que vai surgir a coragem e deixarei de ser covarde. De qualquer forma eu não poderia cobrar, não dela, talvez só de mim. É sempre tudo tão artificial e eu esperando que ela mergulhe.

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