Suas palavras sempre foram firmes e cheias de razão. Sua delicadeza não é típica de você e o verão foi-se ontem ao entardecer deixando folhas secas para trás.
Algo aconteceu, algo mudou.
No primeiro segundo, tento colocar a culpa mais uma vez em mim, mas dessa vez, não. Não seria fácil suportar ainda de olhos fechados o que se sente na pele. O céu de ontem azul, faz-se plúmbeo ordenado por rasgos que fazem marcar a hora de chorar.
Algo aconteceu, algo mudou.
Sua voz macia em meus ouvidos, fazia gritar sem parar um insuportável eu te amo da boca pra fora, quando há segundos poderia ouvi-lo de teu olhar. O estrondo do firmamento, anunciado no reflexo do vidro que me separava do mundo real, fazia-se silencioso e abafado por seus sussurros mentirosos.
Algo aconteceu, algo mudou.
La fora tudo é diferente, noto pessoas, antes, anônimas por sua amordaça que buscam um abraço, sempre esquivado, meu. A brisa úmida das lagrimas caídas, parece alívio em meus cabelos despenteados e o céu mais azul, mais que o do verão passado tomado por nuvens que faziam esconder lágrimas que não se podia chover, ainda que a ferida e o brilho, paradoxalmente sempre houvessem lá, na tradução exata de cada alegria falsa.
Algo aconteceu, algo mudou.
Suas certezas a fazem sofrer agora, pois nesse momento são incertas. De fato não estarei lá, na espera desesperada como raízes pedem por água. A sede de você se foi, tornou-se saciável com poucas gotas de verdade, ainda que em tempos de seca. Não se necessita mais do verão para que haja brilho, pois o sorriso, agora, é verdadeiro.
Nada aconteceu, as estações sao as mesmas, apenas mudei.