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sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Inexoravelmente

O tempo se vai, tenho ficado para trás, ofegante e incapaz de acompanhá-lo. Já posso vê-lo virar a três esquinas, vou perdê-lo, como me perdi de mim. 
O tempo não espera, ele passa. 
As vezes, as voltas do ponteiro deixam a sensação de que haverá volta, mas só resta comparação entre o que foi ou deveria ser, mas ausente, sempre, de como é. 
O passado é feito do que passa, mas nem sempre do que ficou para trás e carregar tudo isso é pesado. 
Os ombros estão fracos e o peito cansado, quero me sentar. 

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Bordas

Sobrei em seus pensamentos abundantes ausentes de mim, existia tudo lá menos eu. 

Tentei te invadir, pelas bordas, quase te enganar, aos poucos, mas não pude alcançar, fui incapaz. 

Seus olhos não me convidavam como as palavras de sua boca, a sua pele acabava sempre por confessar a incoerência lotada de contradição, e eu ainda estava lá. 

Restava sempre a sensação de despertencer, e criar palavras tornou-se a única saída para explicar o sentimento que não se explica. 

Quando se é sobra, se desdobra, afasta, e só amarrota, atrapalha e não faz falta.

O que?


Não há verdade no que faço, e a sinceridade limita-se a essa confissão.

Quando não se sabe onde chegar a partida fica impedida, plantada sob os pés.

O vento que corre o rosto, bagunça o cabelo, persegue fechar meus olhos na tentativa de não me permitir enxergar, quando ainda os tendo abertos há tempos já não posso ver.

Não quero mudar o que está feito, pois feito está, mas o que me sobra fazer?

Já me transbordam perguntas e nenhuma resposta.

Caminhar sem destino certo, em vez de mais perto, faço me afastar.



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