Quero fechar os olhos de todos os modos e descansar, sem a presença de sons e imagens que me cansam ao me deitar.
Prometo que não vou chorar, não desta vez. As lágrimas secaram quando o fiz milhares de vezes escondido debaixo do meu cobertor, mesmo quando os dias eram bem quentes.
Não vou disfarçar se a vontade vier, nem segurar os soluços, mas juro, não há mais como, estou seco por dentro, como galhos de um arbusto cansado que nunca frutificou.
Não houve água, adubo e a terra que me plantou era fraca, fraca areia.
Tenho sido pendulado, ceifado todos dias de meus dias, ainda que com pouca ventania. A raiz sangra e o mar avançou, tenho sentido o gosto salobre, sou planta que procura doce pelo tato desatado de sentidos que somente eu pareço sentir.
Eram asas, não raízes, o meu desejo, para voar tão longe que as pudessem cansar sem mais querer voltar, só pra depois deitar, descansar ali mesmo, sem compromisso e permanecer sem medo de algum recomeço, com a simples vontade de recomeçar.
Voar sobre o mar, ainda que sem saber nadar, com um medinho presente, buscando alguma terra perto para morar, a regra seria não se importar, acompanhado pelo infinito, desejando ser tudo imperfeito, quase do avesso para rir e debochar, onde o motivo da graça seria simplesmente estar lå.
Queria meus pensamentos só meus, não os antigos de volta, mas os novos por toda volta, de uma maneira que me embolasse e que me fizessem realmente livre, ainda que não sóbrios, para que eu pudesse migrar aonde quisesse chegar, com o humilde propósito de que me distraíssem ao repousar, mas o que eu gostaria mesmo era nunca deixar de sonhar.