Quero deitar ao seu lado na cama fria e aquecê-la enquanto
rolamos juntos, em todos os seus cantos, buscando o encaixe perfeito para nos
fazer únicos, sem espaços, apertado na medida certa de cada abraço, no
desdobrar de nossos lábios, com olhos bem abertos para auxiliarem o certificado
de cada toque comprovador de que tudo se faz perfeitamente real.
Seu cheiro, seu gosto são sentidos pela sinestesia pública em meu sorriso, em meu carinho e no meu jeito de te olhar, sempre com
uma calda de medo, sabendo que tudo que se faz real um dia possa acabar, ainda
que na impossibilidade inexata ou disfarçada da eternidade matemática dos relógios
que não posso controlar.
Seria fácil quando o tudo e o todo fossem conseqüências exclusivas
de meus pensamentos e sentimentos projetados pela vontade absoluta e incomparável
de te amar, fazendo do sonho e da realidade semelhantes, quando o perfeito não está
em um momento, sabor específico ou lugar, mas sim na simples alegria contagiosa
de alguém que faço querer acompanhar, nos
passos rápidos de jovem de hoje aos vagarosos de velho em todos os amanhãs, embebidos
da verdadeira felicidade de sempre sabermos que nunca poderíamos saber viver se
algo nos fizesse distanciar.
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