Tenho amado todos os dias desde que descobri o que é o amor.
Amor é um pensamento nem um pouco ligeiro, mas sorrateiro, quase sempre
disfarçado e as vezes acompanhado de dor.
Ele chega de mansinho e entope as artérias,
borra o cérebro e insiste fazer enxergar o que não se pode ver.
Não é um
sentimento puramente bom, ele modifica, risca, rasga e deixa marcas.
Há de vários
modos, sabores e tons. Desde pelo seu gato sem raça ao por alguém que quase sempre é anônimo.
É
bem isso, o amor não recompensado, muitas vezes envergonhado, é bom, pois só
existe em você e daí se imagina como deva ser, mas só se imagina, todas às
vezes balizado pela perfeição.
Amar a dois não é fácil, o tira do eixo, que com
falta de algum remelexo, não se faz bom, pois toda imaginação se frustra quando
por mais parecidos, ninguém se faz igual.
Se quiser mesclar os amores, o real e o da sua
própria ficção, a mente se corrompe, o peito sempre cansa e às vezes pode achar
que tudo é em vão.
Amor não é negocio nem escambo, não pode haver trocas, somas
ou divisão, amor é pura admiração comentada com ausência das palavras, apenas
com o olhar de cada um que se cumprimenta, quase sem razão, para dizerem um ao
outro que nem sempre tudo será bom, mas que na ausência de tudo isso, poderá
existir sempre ela, mas eu não.
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