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sexta-feira, 20 de junho de 2014

De pernas cruzadas

A estação está vazia, não há trem ou ao menos algum que eu esteja a esperar. Não decorei números e nem determinei destinos.
O relógio prateado à minha frente está parado, parece ter cansado de trabalhar, pois não há desmazelo, tudo está limpo e bem cuidado. Posso observar, calmamente do banco confortável, sentado sem algum motivo que me faça preocupar. 
É a primeira vez no lugar, nada prende a atenção, nem mesmo as paredes coloridas, o cigarro ainda aceso no lixo vazio, a fumaça da pequena janela ou mesmo as pessoas, raras, que ainda apressadas parecem paradoxalmente vagar, recheadas de anseios, desesperos ou os dois, discretos ou somente secretos, sem com quem poder compartilhar, disfarçados no semblante que daqui do banco posso quase apalpar.
Os olhos percorrem cada canto apenas por distração de um tempo que nem eu e nem aquele relógio façam-se, ainda, permitidos contar. É a pura falta de tempo de um tempo que nunca fará faltar. 
Parece sempre melhor aqui de fora, quase desconectado, sem dedos e martelos, para apontar e julgar, não me faço notado, anoto tudo na retina e comento com lábios calados, sem réplicas, tudo resume-se a uma estranha diversão.  
Às vezes, risos ligeiros, sobrancelhas saltadas com a testa enrugada, queixo caído ou simplesmente anestesia são os resultados de tudo sem mais e sem menos, mas com tudo sem questionamentos, apenas observação, pura, do nada, do todo, de tudo, mas sem propósito, a não ser o de estar ali, lá, em qualquer lugar, apenas por estar.

terça-feira, 17 de junho de 2014

NUNCA MAS, SEMPRE MAIS



É sem mais, sem menos, sem bordas ou sobras, é exato, encaixado, justo.

Não há brechas, não requer reparos e o mais abstrato se faz tátil.

É simplesmente... Simples, independe de forma ou contexto.

É doce, nunca amargo, às vezes salgado, mas sempre temperado.

Não há pitadas, não requer provas e o mais insosso se faz apimentado.

É deliciosamente... Delicioso, independe se ralo ou grosso.

É nosso amor com menos mas e mais mais.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Palavras caladas....

Não quero parar para pensar no óbvio e nem escolher palavras para qualquer explicação. 
Quero olhá-la da cabeça à ponta dos pés e dizer meu, mas sem alguma pretensão egoísta.
Quero sorrisos discretos, daqueles que fogem nos cantos da boca, impossíveis de se segurar. 

Não quero buscar compromissos que pesem ou doam, quando o mais leve é se doar.
Quero observar seus olhos sempre sinceros sem a intenção de algum dia os julgar.
Quero as verdades verdadeiras, daquelas que nunca se possa duvidar.

Não quero apertar sua mão e nem a abraçar.
Quero o encaixe perfeito de cada parte sem ao menos um pouco forçar.
Quero planos secretos, sem algum segredo, todos feitos da anunciada noticia que é amar.






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