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domingo, 25 de setembro de 2011

Ondas,,,

Entrei em um barco, sozinho, não havia quem quisesse acompanhar-me, e nem poderia, uma vez que o destino era o mar, onde o vento quisesse me levar. 

As velas içadas ou repousadas eram detalhes, não havia pressa, ainda que fosse o mais devagar que pudesse deslizar, parecia rápido demais para ancorar onde não se havia pra chegar, o destino era vazio como eu.  

O vento no cabelo crescido, pela primeira vez, não me fazia livre, era apenas um mensageiro de medos que deixei aportados, ele podia sussurrar com a certeza de que eu não poderia os esquecer dando-lhes as costas. 

Ainda que os olhos percorressem o infinito de nuvens e águas, sempre eram distraídos pelas verdadeiras verdades que ainda viviam em mim, não havia como fugir, pois ausentar-me de lugares não me fazia fora e nem longe de mim. 

Os medos, agora, os trago comigo, nao amigos, mas me fazem pensar, sao parte de mim.

Há de se retomar, mãos no timão, firmes para guiar-me em mares desconhecidos e bravos, velas  içadas ao alto, esticadas pelo vento que agora me tocam pra onde eu queira ir, as lembranças nas paisagens sempre serão inevitáveis, mas serão apenas lembranças, boas lembranças.   

Agora sei pra onde quero ir, em frente, apenas em frente.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Psco....


Acordei com os olhos grudados no teto branco do quarto apertado. Os pensamentos me colocavam de encontro com a parede fria e ameaçavam-me gritar as verdades que habitavam em mim. Eu fatalmente era refém de segredos que eu achava só a mim, pertencer. Perguntas vagavam no interrogatório interior sob ameaças de que a verdade já era sabida. Eu não poderia esconder minhas vergonhas e nem anseios secretos que foram sempre guardados, fui contaminado pela culpa e sou obrigado a vomitar palavras que não construí. Ainda sob o medo das confissões futuras de daqui a pouco, estico os olhos presos a um pescoço imobilizado para ao redor descobrir pontos de fuga, o que é em vão, uma vez que estou preso a mim mesmo, a meia luz de minhas reflexões. Percebo que o quarto não é pintado e o sofá de couro desapareceu, não há portas e nem janelas, o quarto de fato não é o meu, respiro fundo, um sorriso brota, ainda de lá, desperto a gargalhadas de meu inconsciente.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Paisagens da alma.......


Os sentimentos confundem-se, os limites não estão desenhados e as zonas são permeáveis. 

Achei saber andar nas estradas da alma, conhecer o corrimão dos pensamentos e até escorregar no parque dos sentimentos, engano meu.

 A autoconfiança era importante, e daí?
Aqui fatalmente não o é, uma vez que os passos não são direcionados pela razão e sim mergulhados no vazio do abismo tomado de sentimentos sem sentidos.

Estou à beira do abismo, é escuro, pela primeira vez sinto que olhar para trás e regressar seja o mais seguro, pois estou desarmado, você levou-me para lugares secretos dentro de mim.

A paisagem desconhecida é intrigantemente intima,  tentei acordar, mas não era sonho, eram apenas pensamentos que me afogavam,  era inevitável saltar.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Interior...

A facilidade, talvez, seja um tempero que tire o sabor do prato principal. E a dificuldade, o que seria? Pimenta? È estranho, quando estamos vencendo, bem no meio da batalha e ainda não se sabe a certeza do resultado final, daí queremos fácil, tudo fácil. Porém quando vencemos, dizemos o quão difícil foi a ponto de achar que somos os únicos capazes daquela conquista.
Quando perdemos, a culpa é somente da derrota, somente dela, como se não estivéssemos lá, ao lado da esperança da vitória e acompanhado, de perto, pelo medo do fracasso. Nossos pensamentos nos traem, parecem nos abandonar quando a razão era necessária. A emoção, ao contrário, parece não caber dentro do peito e seqüestram os pensamentos, fazendo-os reféns de reflexões e de lembranças que nos lançam em um abismo sem fim, sem luz.
O fronte é aqui, bem diante de meus olhos, não há como fugir, mesmo que os feche, mesmo que leve meus pensamentos pra longe de lá. A decisão é minha, para aonde marchar, que vitória alcançar, o risco a correr. Sou comandante, de mim e de minhas pernas que querem desertar. O tato é dormente e não arrisca sentir o sabor da conquista, fui abandonado, desmuniciado da vontade de prosseguir, ao meu lado a companhia do nada.
A luz apaga-se, no céu a escuridão, a lua se foi, acho que com as estrelas, mas a chama ainda arde em mim, mesmo que eu não perceba. Por trás um grito, abafado, quase mudo, vem de dentro, vem de mim.
É quente, uma voz aquecida pela mesma chama que agora me chama, pelo nome, sabe me conhecer bem. Os olhos embaçados de quase agora voltam a captar o reflexo que os inundam de vontade de comandar os passos das pernas que arriscavam voltar. A chama, é fogueira, está renovada com o oxigênio dos pulmões que se forçam a respirar. A firmeza da marcha, o grito que ecoa, é de guerra, de vitória. 

A razão domina, o gatilho está armado, pronto, a vitória está definida, o inimigo era interno. 

O sabor é único ao molho de pimenta.

Sem perguntas...

O melhor será mesmo o melhor? As palavras ditas em momentos de tristeza serão as mais confortantes? O abraço, o calor será suficiente na inexistência de braços ou colo?
Não me faça perguntas que não sei responder, não me indague quando não há solução pela razão.
Onde está o coração? Acho que você sabe melhor que eu, pois o levou, não sei como se arrisca em mensagens e telefonemas sem retorno, afinal você é apenas números, indigente em minha lista de nomes.
Não me peça em palavras escritas o que não se traduz ao som de sua voz, amigos agora? Talvez apenas de nossos amigos em comum.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Coisas.....

Acho que são seus cabelos ondulados, sua pela macia e seu rosto delicado, não, na verdade acho que são suas mãos às minhas e seu beijo doce. 
Na verdade, eu não sei o que é, acho que não preciso de explicação, é tempo perdido e resposta complicada, quando nos meus braços é onde você está, mas adianto que a sorte, a benção intrigam-me do por que eu.
Não pude mencionar seu sorriso e seu olhar, pois ainda me pergunto se são reais.
Sua risada gostosa findada-se em uma gargalhada que me faz acreditar na possibilidade de poder ser engraçado, pois com você tudo é simples e fácil.
A alegria se faz alegre e os pensamentos tristes perdem o sentido ao ponto de não parecerem ter existido, o tempo passa, apenas se nota pela troca de cenários quando o sol se despede e nos apresenta um céu preenchido de companhias agradáveis, mas certamente nenhuma como a sua.
O frio chegado pelo beijo da noite no dia não se faz notado quando me protejo no calor de seu abraço.

Há de se arriscar...

 A pele branca, de certo era luz, somente ofuscada pela cor de seus olhos, azuis, como o céu. Eu poderia afirmar sem dúvidas que era a porta do paraíso.
A velocidade de tudo e do todo formado era comparável, talvez, somente a daquela luz, mas não à sua, pois essa não haveria como comparar, não aqui, acho que apenas no céu que você trazia consigo a porta. 
Tudo se fazia íntimo naturalmente e paradoxal ao ponto de não podermos se quer adivinhar  o sobrenome de cada um, afinal o passado, a partir dali, só poderia ser contado pelas histórias próprias nossas.
O futuro se fazia importante e esperado em cada expectativa preenchida de felicidades em cada encontro. Pela primeira vez, o diferente não trazia medo, o frio na barriga era bom e se desejava a repetição de tudo e do mesmo todo a cada momento, fossem em pensamentos ou tão juntos que pudéssemos nos sentir um só.  
Coisas de um ontem distante, tão ao ponto de achar que sempre estariam presas apenas em lembranças despertas, livres, prontas para voar em direção e sentido certo.
O beijo, ainda desencontrado, anuncia o quanto vamos aprender e quão fácil é nos ensinar. Sua luz, própria, mostra-me o caminho de onde encontrar meus sorrisos de cada manha e o conforto da alma em cada entardecer. 
Jogo, sorte, azar, não sei, seja o que for quero arriscar..

domingo, 11 de setembro de 2011

Mãos,,,,


O seu cheiro parece escorregar na brisa, os cabelos são despenteados e os olhos são ausentes de curiosidade se não a de tentá-la minha como em meus pensamentos. Sua face marcada pelo sorriso puro faz-me ser guiado por caminhos seguramente desconhecidos na vontade única de tê-los nas palmas de minhas mãos.  O teu olhar julga-me e a sentença imediata é seu perdão, quando da culpa de não tê-la minha antes se faz unicamente do passado. As vontades divididas e sem rumo algum se fazem completas pelas suas e guiadas pelo calor de sua mão abraçada a minha.

sábado, 10 de setembro de 2011

Ontem..

Ontem soube que ainda gosto de você quando apertava o travesseiro em meio as pernas e abraçava o cobertor tendo a certeza de que a cama se fazia grande e vazia.
A sua falta se dava em pensamentos  distantes e reféns das lembranças,  o sorriso era sem graça, as verdades confusas e as mentiras desculpas.
O sono não vem, a cama está livre, é fácil deslizar até seu cheiro e imaginar sua presença, ao passo de se frustrar com a tentativa de um toque em vão.
Ontem soube que não gosto de você, apenas sinto sua falta.

Brinquedo......

As palavras a serem ditas continuam engasgadas e desprovidas de argumentos que justifiquem o inexplicável. 

O sentido de cada expectativa fica refém da falta delas lançadas aos ouvidos certos que não parecem querer escutar. Ainda que meus olhos sussurrassem cada intenção ou que minhas mãos gritassem, talvez, você não fizesse me perceber ali.
  
 As desculpas me trazem culpas de que não me fazem culpado. Os olhos rasgados por lágrimas e o peito ocupado por soluços não entendem o porquê da falta da parte que se fazia todo, ainda há pouco.

Os erros não podem ser unicamente meus, é um egoísmo, paradoxal, dizer que nada é seu, quando meus ouvidos são testemunhas das palavras que você não guardou e que me fazem pensar que o ontem em sua companhia pertence somente a você e que minhas lembranças são um problema unicamente meu. 

Eu estava lá quando você brincou comigo.

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