Entrei em um barco, sozinho, não havia quem quisesse acompanhar-me, e nem poderia, uma vez que o destino era o mar, onde o vento quisesse me levar.
As velas içadas ou repousadas eram detalhes, não havia pressa, ainda que fosse o mais devagar que pudesse deslizar, parecia rápido demais para ancorar onde não se havia pra chegar, o destino era vazio como eu.
O vento no cabelo crescido, pela primeira vez, não me fazia livre, era apenas um mensageiro de medos que deixei aportados, ele podia sussurrar com a certeza de que eu não poderia os esquecer dando-lhes as costas.
Ainda que os olhos percorressem o infinito de nuvens e águas, sempre eram distraídos pelas verdadeiras verdades que ainda viviam em mim, não havia como fugir, pois ausentar-me de lugares não me fazia fora e nem longe de mim.
Os medos, agora, os trago comigo, nao amigos, mas me fazem pensar, sao parte de mim.
Há de se retomar, mãos no timão, firmes para guiar-me em mares desconhecidos e bravos, velas içadas ao alto, esticadas pelo vento que agora me tocam pra onde eu queira ir, as lembranças nas paisagens sempre serão inevitáveis, mas serão apenas lembranças, boas lembranças.
Agora sei pra onde quero ir, em frente, apenas em frente.