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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Bolha...



A janela escondida pelas cortinas faz-me esperar sempre o sol depois dela. 
Há dias em que temo abri-la por não estar certo do que através dela pode passar, daí pareço preferir ficar deitado no escuro de minhas incertezas e com a luz artificial do lugar que apenas ilumina, mas não me faz aquecer. 
Sinto frio e pouco posso enxergar. 
O que vejo são os objetos já decorados do mesmo lugar, os dias parecem prolongados e sempre contados pelos segundos do relógio velho pendurado na parede já quase úmida da sala de estar. 
Não tenho aberto a janela há alguns dias, ouvi dizer que no jardim já há flores. 
É estranho quando agora apenas ouço o que eu sempre falava da chegada de todas as primaveras que via desflorar junto aos pássaros e as cores vivas em todo lugar.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Cegueira...




Lembro-me de nosso primeiro encontro, éramos tão conhecidos para um primeiro dia ainda sem toque algum, apenas olhos desconfiados que se desviavam por vergonha talvez, pois pareciam saber mais que nós mesmos quando o futuro de estarmos sempre juntos era óbvio e ainda assim, não percebíamos. Minhas piadas se encaixavam na medida de seu humor e era fácil ser engraçado mesmo quando não houvesse graça alguma. Em caminhos, trilhas ou sem rumo algum, calçados ou de pés crus, cobertos ou totalmente nus, poderíamos nos vestir de nosso próprio abraço, seguros por cada braço, na direção de qualquer lugar que nos fizéssemos um. Desde o primeiro encontro de nossos olhos até o seu de olhos fechados, tudo se fazia fácil e da viagem entre a realidade aos pensamentos, a perfeição só fazia-se invejar. Sorte, achado ou mesmo coincidência são explicações imprecisas quando nada justifica a falta de sua presença. A alma pergunta sem respostas, se espreme no coração e olhos só fazem procurar onde estaria tudo que as lembranças insistem em mostrar. Dessa vez, os meus olhos não puderam imaginar que não mais haveria a companhia dos seus, quando se fecharam e você adormeceu.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Desencontro...



Juro que eu não imaginava encontra-la aqui, afinal faz 2 anos, quatro meses,  duas semanas e alguns poucos dias que já deixei de contar, esse era o aviso de meus pensamentos. 
O sorriso é sem graça, eu sei, mas está camuflado na surpresa que não se define ao certo em boa ou o contrário.
 Penso comigo mesmo, conversando com minhas imaginações, falar do vestido ou do cabelo dela não vai deixar o momento mais natural, ainda mais quando sinto que toda naturalidade é tomada por ela e a possibilidade de sobrar uma dose disso a mim é nula. 
Nesse momento não se passou um segundo de tempo e o resultado é um milhão de pensamentos e nenhuma opção que saiba escolher.  Talvez um oi acompanhado por um quanto tempo ou como vai fosse a mais óbvia, mas também a mais perigosa. 
Como tudo é acompanhado pelo lado sim e não de qualquer coisa, fingir não a estar vendo passa a ser outra excelente alternativa quando não quero aproximar-me ao ponto de que ela veja minhas cicatrizes. Mas de repente, entre os milhões de pensamentos, cada um com mais de cinco alternativas e nenhuma exclusiva, ela interrompe tudo, rasga de mim qualquer tentativa de decisão com seu olhar mirando-me os olhos e me faz ter a certeza de que já é tarde, não há como fingir, eu estou ali e meu ônibus chegou, sobrando-me aos lábios como se sopro fosse o tchau e eu disse.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Gol de placa



FAZ bico, embirra, é charme
QUALQUER querer ela quer, não se importa se, na sorte, é mal me quer
UM sorriso, uma lágrima, é ela, minha confusão
FELIZ, no azar meu, de eu querer e ela não.

FLUir, voar, encantar
MInha duvida é onde ela quer chegar
NENhum limite ela se dá, torce, vibra
SEm ao menos por ele se cansar...

GOL, gritos, lágrimas
É vitoria,
SUA, pura, crua, quase nua
ENERGIA incontrolável
MAIOR,  melhor, mas dessa vez não é o flu, é ela.


É O turbilhão de sentimentos
É A certeza de sua incerteza
É O resumo de sua obra
É A menina mulher de cara pouco assustada
É O mistério do poradoxo ambulante.

 O mistério fácil
 Lido e desvendado
 É quando ao lado, bem perto
A mulher é menina
O turbilhão é calmaria
E o paradoxo, sinestesia.

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