A janela escondida pelas cortinas faz-me esperar sempre o
sol depois dela.
Há dias em que temo abri-la por não estar certo do que através
dela pode passar, daí pareço preferir ficar deitado no escuro de minhas
incertezas e com a luz artificial do lugar que apenas ilumina, mas não me faz
aquecer.
Sinto frio e pouco posso enxergar.
O que vejo são os objetos já decorados
do mesmo lugar, os dias parecem prolongados e sempre contados pelos segundos do
relógio velho pendurado na parede já quase úmida da sala de estar.
Não tenho
aberto a janela há alguns dias, ouvi dizer que no jardim já há flores.
É estranho
quando agora apenas ouço o que eu sempre falava da chegada de todas as
primaveras que via desflorar junto aos pássaros e as cores vivas em todo lugar.