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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Quase bom...



Tenho amado todos os dias desde que descobri o que é o amor. 
Amor é um pensamento nem um pouco ligeiro, mas sorrateiro, quase sempre disfarçado e as vezes acompanhado de dor. 
Ele chega de mansinho e entope as artérias, borra o cérebro e insiste fazer enxergar o que não se pode ver. 
Não é um sentimento puramente bom, ele modifica, risca, rasga e deixa marcas. 
Há de vários modos, sabores e tons. Desde pelo seu gato sem raça ao por alguém que quase sempre é anônimo. 
É bem isso, o amor não recompensado, muitas vezes envergonhado, é bom, pois só existe em você e daí se imagina como deva ser, mas só se imagina, todas às vezes balizado pela perfeição. 
Amar a dois não é fácil, o tira do eixo, que com falta de algum remelexo, não se faz bom, pois toda imaginação se frustra quando por mais parecidos, ninguém se faz igual. 
Se quiser mesclar os amores, o real e o da sua própria ficção, a mente se corrompe, o peito sempre cansa e às vezes pode achar que tudo é em vão. 
Amor não é negocio nem escambo, não pode haver trocas, somas ou divisão, amor é pura admiração comentada com ausência das palavras, apenas com o olhar de cada um que se cumprimenta, quase sem razão, para dizerem um ao outro que nem sempre tudo será bom, mas que na ausência de tudo isso, poderá existir sempre ela, mas eu não.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Pensamentos de um caule...

Quero fechar os olhos de todos os modos e descansar, sem a presença de sons e imagens que me cansam ao me deitar. 
Prometo que não vou chorar, não desta vez. As lágrimas secaram quando o fiz milhares de vezes escondido debaixo do meu cobertor, mesmo quando os dias eram bem quentes. 
Não vou disfarçar se a vontade vier, nem segurar os soluços, mas juro, não há mais como, estou seco por dentro, como galhos de um arbusto cansado que nunca frutificou. 
Não houve água, adubo e a terra que me plantou era fraca, fraca areia. 
Tenho sido pendulado, ceifado todos dias de meus dias, ainda que com pouca ventania. A raiz sangra e o mar avançou, tenho sentido o gosto salobre, sou planta que procura doce pelo tato desatado de sentidos que somente eu pareço sentir. 
Eram asas, não raízes,  o meu desejo, para voar tão longe que as pudessem cansar sem mais querer voltar, só pra depois deitar, descansar ali mesmo, sem compromisso e permanecer sem medo de algum recomeço, com a simples vontade de recomeçar. 
Voar sobre o mar, ainda que sem saber nadar, com um medinho presente, buscando alguma terra perto para morar, a regra seria não se importar, acompanhado pelo infinito, desejando ser tudo imperfeito, quase do avesso para rir e debochar, onde o motivo da graça seria simplesmente estar lå. 
Queria meus pensamentos só meus, não os antigos de volta, mas os novos por toda volta, de uma maneira que me embolasse e que me fizessem realmente livre, ainda que não sóbrios, para que eu pudesse migrar aonde quisesse chegar, com o humilde propósito de que me distraíssem ao repousar, mas o que eu gostaria mesmo era nunca deixar de sonhar.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Piscar de olhos


Há dores que o tempo não vai apagar a marca nem mesmo embaçar a lembrança de quem a sentiu.
Na pele, no peito, na alma, a dor que dói bem dentro não se aquieta. 
Não hå distração para os olhos que viram o que não se queria ver ou saber, dai soube quão fraco se pode ser o ser humano mais forte. 
Em meio a fraqueza, há um momento em que o que menos se busca é a força. A única vontade é deixar se levar, ainda que não saiba pra onde, mas para algum que faça confortar, romper alguma veia e se apagar. 
Tragédias sempre acontecem, mas com os outros. 
Comigo não, com você não, apenas com os outros e quando os olhos se abrem, deseja-se de todos os modos tê-los fechados.

Como deve ser?


Ser tudo perfeito? Juro que nunca desejei. Porém quão imperfeito será o limite do certo e do desacerto? 
Os dias tem sido bons, confesso, mas nem sempre se completam assim. Sinto entraves, quase claves, segredos que não quero. 
Talvez apenas medo de se desvendar. 
A insegurança tem me feito refém e perguntas que tento não responder. 
A incoerência do ilógico se faz presente quando tento relevar cada dor, por simplesmente achar que seja amor. 
O começo não tem sido fácil, e sou ciente que pra ela também não, afinal sou inconstante quando seu jeito e trejeitos me confundem no momento em que tudo ja se faz concreto, reto e certo. 
Meu coração reclama de úlceras, e dói. Ele se pergunta o porquê disso tudo logo nesse momento, nunca o maltratei, ou feri e agora diariamente sofre. 
A angustia tem me feito companhia e juntamente com a insegurança insistem em não se calarem aos meus ouvidos, às vezes zombando, às vezes devagando, o fato é que nunca estão silentes. Ainda tenho buscado as respostas que justifiquem o que já não passa ser óbvio. 


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