Seus olhos torturam-me buscando a confissão de sentimentos
secretos.
Sua pele encostada à minha, ainda que de maneira desastrada,
despreocupada, mas sempre desinteressada, arrepiá-me dos pés a cabeça com
presença fácil de algum medo que não sei definir, suo, fico embebido em
vergonha de qualquer revelação involuntária.
É como ser criança novamente,
quando os segredos são realmentes secretos e incompartilháveis. Meus olhos
correm dos seus, nossas mãos nunca se encontram e abraçá-la em cada chegada ou
despedida faz-me perdurar em uma sensação de eternidade imediata, mas sempre
boa, talvez por ser a forma mais próxima de me sentir seu, ainda que sempre
apenas em meus pensamentos.
Esses distraem-me sempre, pois são como desejo que
fosse, seus lábios bem próximos aos meus.
Nesse turbilhão de imaginações e
desejos não há temores, eu estou sempre seguro e você sorri dando-me a certeza
de um amor que sempre esperei.
É sempre muito bom, eu acordo deles para a vida
real e não é dolorido, muitas vezes sou despertado por você mesmo, perguntando-me
algo que é quase sempre óbvio, às vezes até desconfio de que pode ler meus
pensamentos e desejos.
Confesso, ainda que com medo, deixo pistas para a
descoberta do tesouro que parece pertencer e interessar somente a mim, sua
caçada nunca é exata nem mesmo dedicada, as chances são poucas, a amiga fica, o
amor existe, eu escondo-me e sou escondido, acho-me desencontrado, amarro e
amordaço a fera de mim, mas o coração sempre bate.
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