As páginas brancas perguntam-me com o que vou as rabiscar. O lápis continua no canto da mesa quase se rolando para o abismo que se acaba no chão frio. A borracha está sonolenta, não há trabalho, não há o que apagar.
É apenas domingo a noite, a TV está desligada, os móveis iluminados a meia luz e a cadeira suporta meu peso sem reclamar. Os olhos procuram algo para me inspirar, mas tudo é igual, tudo é comum. As mãos tímidas percorrem, ainda que lentamente, o caminho até o lápis para abraçá-lo.
Há dúvidas, mesmo em momentos que deveria haver certeza, afinal esse encontro já foi diário, um casamento que rendeu, quase naturalmente, palavras de mãos dadas, frases que se acompanhavam. Os olhos parecem fixar-se dentro de mim, acho que o ponto mais inconstante no lugar, talvez a inspiração esteja na falta da própria.
As palavras ensaiam frases sem sentido. Nesse momento tenho certeza que as faço reféns de minhas vontades. Quero escrever, mesmo que não haja inspiração alguma. Falei por diversas vezes que textos são conseqüências de suor, mas nesse momento, rendo-me a essa falta de razão. Não poderia usar de algum sentido se não houvesse a companhia de sentimento algum. Quero pedir desculpas a cada palavra riscada, as fiz companheiras de minha solidão sem lhes permitir opção.
Nossa Gute....mttt bom esse em!
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