Suas mãos abraçam meu peito tentando confirmar, em vão, o que existe ali. Desconfiada desce com a face ajeitando o ouvido no mesmo lugar sem se convencer no que os fatos a obrigam acreditar. Não há nada, apenas o vazio profundo de algo que simplesmente já não mais está lá. Seus olhos miram-me e posso senti-los perguntar - onde está, o que houve? E entendendo bem a tradução do que não se precisa falar, colo os lábios enrugando o queixo na mesma velocidade pendular do pescoço, e sussurro – não sei, ontem estava lá, tenho certeza. Sem saber como compreender, pois tudo é novo, aperto-me em seu abraço, de olhos bem fechados, buscando respostas em algum lugar, amedrontado, pedindo por respirar mais uma vez. De repente, as respostas surgem no aperto de meu corpo ao seu, no descompasso de batidas diferentes vindas do mesmo lugar. Não foi roubo, nem falta de ar, apenas doação involuntária do que não se pode controlar. Descubro que é amor.
Aproveite............
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