A mala está pronta, nunca achei que pudesse não poder levar fotos
nossas. O carro está cheio de coisas realmente só minhas, dessa vez sou eu e
apenas eu. Não há sinal seu, pois não há despedida, talvez apenas um olho entre
as frestas da cortina para confirmar minha partida. Como não olhar para trás buscando
a esperança em algum lugar do jardim? Era ali que reforcei diversas vezes a certeza
de ser sempre pra sempre. Abro a porta do carro sem querer entrar, o seu banco
está ocupado com minhas coisas do futebol, o de todas as quintas, que sempre a
deixei para jogar. Não é arrependimento, mas poderiam ser dias a mais, mas
jamais o de amanhã. Sinceramente, não há um ponto, uma data, um tropeço, eu acho
que errei desde o começo, bêbado na linha da sorte, uma hora iria cair, só não me
fiz acreditar, afinal as brincadeiras no jardim não poderiam garantir algo, de certo,
não somente elas. A chave ainda está no bolso, tremo e pareço incapaz de
acertar para dar a partida que de fato me fará partir, repartir sem partes,
farelos sem a quem dar ou ficar. O carro não cabe nada, mas ainda levo você nos
pensamentos que me julgam sem saber como tudo aconteceu. Não houve de repente,
ter errado desde sempre me faz imperfeito, mas do meu jeito, acho que não me
arrependo novamente de ter sido assim.
Esforço-me, viro a esquina, devagar, olhos nos espelhos, pé no freio, busco
o ar e não sei respirar, não há ar, não há você, agora, apenas arrependimentos
de nunca me arrepender. Não, mas dessa vez não ficarão o silêncio, nem as
palavras do orgulho cheio de razão e pouco sentimento, afinal não posso
levá-los, o carro está lotadamente vazio de você.
Aproveite............
terça-feira, 18 de setembro de 2012
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