Eu era jovem, a inexperiência era evidente em cada atitude. As mãos trêmulas e os lábios pálidos, quase tapados pelo suor descido da testa, mostravam o nervosismo incontrolável. Os sentimentos eram confusos e sempre secretos, proferi-los era fatalmente sinônimo de vergonha. A presença dela era boa, mas modificava o meu eu, sentia-me bobo, eu ficava fora de mim. O amor platônico era bom, mas frustrante, porém ainda, paradoxalmente confortante. Não havia riscos em meus pensamentos, ela sempre se fazia minha e lá sempre eu era realmente eu. O tempo, o melhor dos remédios, nem sempre nos cura, como dizem. Muitas vezes apenas nos dopa e nos faz pensar que estamos livres dos medos de ontem. O amor, hoje, é mais real, mais frio, não na barriga como antes, mas nas atitudes que agora parecem argumentos e ferramentos para um objetivo final. A pureza que me fazia bôbo, se foi, ou se escondeu e no mesmo mundo real penso ser eu, pois certeza não tenho. Tudo mudou, mas nada eh novo. As coisas sao rotineiras, passageiras e quase mecânicas e não mais há vergonha. O medo de ontem foi-se e ficou a saudade de jovem que eu era.
Aproveite............
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
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