Como eu não vi em seu sorriso a felicidade de alguém realmente
feliz?
Seus abraços eram sempre mais apertados e seu jeito de falar doce, mas só
percebo agora, quando busco tudo isso em vão em qualquer outra pessoa.
O
sol não se pôs, mas sempre será tarde, e hoje ele parece ter nascido mais frio
que ontem quando me agasalhei.
O barulho das folhas secas arranhando o chão não
me leva com o vento qualquer solidão e de repente, às vezes, soa alguma culpa
que insisto não entender.
Não quero justificar-me por doer, sei que isso não me
aliviaria em nada, de maneira alguma seria a passagem de volta a qualquer antes.
O tempo é uma passagem de ida sem volta e
minhas revoltas não mudam nada. Arrepender-me agora seria covardia, querer ser
menos culpado de toda culpa que só pode ser dividida com ninguém e inventar a mim
mesmo que assim eu poderia estar melhor.
Não é orgulho nem arrependimentos, são
apenas impossibilidades de minhas tolices.
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